domingo, 15 de fevereiro de 2009

Dieta emocional.

Certas coisas a distância tomam proporções diferentes.
Às vezes me sinto com uma lupa do tamanho da minha cabeça em mãos, o que era formiga se torna boi. O boi virar formiga raramente acontece.
Não sei se devo matar a formiga e comer o boi...formigas são excelentes fontes de proteína. Toda proteína é um polipeptídeo, muitas várias, muitas, reações peptídicas. Para cada reação, uma molécula de água.

A água é o solvente universal.
Se é pra dissolver, comer ou não comer, não faz diferença.

Quem sabe a indiferença seja uma resposta para tudo isso.

Dr. Atkins, essa é pra você.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Terra Nostra.

Deixando as terras tupiniquins e também os tupinambás (porque pra mim eles formam o par.).
Deixando amores.
Deixando cores.
Deixando laços e vários nós.


Deixo I Juca Pirama (IV).
(Gonçalves Dias, para os desavisados.)

"Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.

Já vi cruas brigas,
De tribos imigas,
E as duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.

Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimoréis;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes — escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.

E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.

Aos golpes do imigo,
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.

Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d’espinhos
Chegamos aqui!

O velho no entanto
Sofrendo já tanto
De fome e quebranto,
Só qu’ria morrer!
Não mais me contenho,
Nas matas me embrenho,
Das frechas que tenho
Me quero valer.

Então, forasteiro,
Caí prisioneiro
De um troço guerreiro
Com que me encontrei:
O cru dessossêgo
Do pai fraco e cego,
Enquanto não chego
Qual seja, — dizei!

Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou.

Ao velho coitado
De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? — Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!

Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer."


Sem despedidas, assim me despeço.